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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Casa Basca Gaúcha retoma suas atividades e reafirma seus princípios fundamentais


EM PORTUGUÊS


A CASA BASCA DO RIO GRANDE DO SUL É UMA ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS GUIADA PELOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS E DEMOCRÁTICOS  DA LIBERDADE ASSOCIATIVA INCLUSIVA, DA DIGNIDADE E IGUALDADE. Tem por finalidade primordial a manutenção dos laços culturais, sociais e econômicos com o País Basco, difundindo sua língua, usos, costumes e tradições, integrando seus associados entre si e entre outras associações da mesma natureza, promovendo atividades recreativas, culturais, beneficentes, esportivas, educacionais, dentro dos princípios da livre associação. No desenvolvimento de suas atividades a Casa Basca RS não está atrelada a nenhum núcleo de natureza político-partidária, ou de cunho religioso, sendo, no entanto,   uma associação inclusiva e receptiva a todos aqueles, de qualquer origem étnica e religiosa, que estiverem interessados em integrar-se aos seus objetivos e atividades.
Sendo esta a base de seus propósitos,  após três anos de existência com múltiplas e bem sucedidas atividades, em reuniões realizadas neste mês de setembro,  a Casa Basca do RGS consolidou novo grupo diretivo e o sistema de decisões coletivas que envolvem o seu projeto regional. Com representação de bascos oriundos de várias regiões, a entidade retoma suas atividades apoiando evento que será realizado no dia 4 do mês de Outubro por seu Núcleo de Uruguaiana.

Além disso, ratificou a sua nova organização institucional a seguir identificada:
- Presidência – Ana Luiza Panyagua Etchalus;
- 1º. Vice-Presidente – Carlos Alberto Tellechea Madeira;
- 2º. Vice-Presidente – Valério Azkonobieta Ferraz;
- Diretora Geral – Elimar de Castro Insaurriaga;
- Conselho – Jose Manuel Liceaga,  Adayr Insaurriaga,  Pedro Sorondo, Fernanda Etchepare

COLABORADORES
- Cultura – Claudia Etchepare;
- Genealogia – Diego Moreira;
- Arte e Folclore – Ederson Otharan e Mellina Etchegaray Mattos
- Planejamento e Finanças – Oscar Lorenzo e Vera Inez  Tellechea Gallarreta Salgueiro;
- Núcleo Jovem – Carolina Etchepare, Laura Etchalus de Macedo, Julio Zabaleta e Helena Insaurriaga Patzold;
- Comunicação, Web e Redes Sociais – Alejandro Argañaraz
- Pesquisas: Lia Aguirre

NÚCLEOS REGIONAIS
Pelotas – Fabricio Iribarrem, Vera Lúcia Sallaberry, Solani Pereira Rodrigues, Ricardo Irigon Vinhas, João Pedro Zabaleta, Eduardo Faria Insaurriaga, Lourdes Etcheverry.
Uruguaiana – Gregório Beheregaray, Paulo Henrique Inda, Gizele Ustra Zubiaurre, Beatriz Tellechea Clausell,  Vifran Tellechea
Rio Grande – Rachel Tellechea Inda



EN CASTELLANO



EL CENTRO VASCO GAÚCHO (EUSKAL ETXEA DO RIO GRANDE DO SUL) ÉS UNA ASOCIACIÓN SIN FINES DE LUCRO ORIENTADA POR LOS PRINCIPIOS FUNDAMENTALES Y DEMOCRATICOS DE LIBERTAD ASOCIATIVA INCLUSIVA, DE LA DIGNIDAD Y DE LA IGUALDAD. 
Tiene como objectivo principal, la manutención de los lazos sociales, culturales y económicos con el País Vasco, (Euskal Herria) difundindo su idioma (Euskara), sus usos, costumbres y tradiciones, integrando sus asociados entre si y entre otras asociaciones similares, promocionando actividades recreativas, culturales, beneficentes, deportivas, educaionales, dentro de los principios de la libre asociación. El  Centro Vasco Gaúcho no mantiene vinculo con nenguna organización o nucleo político-partidario o de animo religioso, siendo, por otro lado, una asociacion inclusiva y receptiva a todos que estén interesados en formar parte de sus actividades, sin distinción de etnia o creencia religiosa.
Reafirmando su base de propósitos, el Centro Vasco de Rio Grande do Sul, después de 3 años de existencia y grande numero de eventos y actividades exitosas levadas a cabo, consolidó su nueva junta directiva y su sistema colectivo de toma de decisiones.
Buscando representatividade en todos los nucleos regionales, la Institución retoma sus actividades apoyando un nuevo encuentro de vasco-descendientes a ser realizado el 4 de Octubre de 2014, en la ciudad de Uruguayana, organizado por el nucleo uruguayanense de nuestra Casa Basca, en esta ciudad ubicada en la región de frontera con Argentina.

La nueva Junta Directiva elegida:
- Presidência – Ana Luiza Panyagua Etchalus;
- 1º. Vice-Presidente – Carlos Alberto Tellechea Madeira;
- 2º. Vice-Presidente – Valério Azkonobieta Ferraz;
- Directora General – Elimar de Castro Insaurriaga;
- Consejo – Jose Manuel Liceaga,  Adayr Insaurriaga,  Pedro Sorondo, Fernanda Etchepare

COLABORADORES
- Cultura – Claudia Etchepare;
- Genealogia – Diego Moreira;
- Arte y Folklore – Ederson Otharan e Mellina Etchegaray Mattos
- Planejamento y Finanzas – Oscar Lorenzo e Vera Inez  Tellechea Gallarreta Salgueiro;
- Núcleo Joven – Carolina Etchepare, Laura Etchalus de Macedo, Julio Zabaleta e Helena Insaurriaga Patzold;
- Comunicación, Web y Redes Sociales – Alejandro Argañaraz
- Pesquisas: Lia Aguirre

NÚCLEOS REGIONALES
Pelotas – Fabricio Iribarrem, Vera Lúcia Sallaberry, Solani Pereira Rodrigues, Ricardo Irigon Vinhas, João Pedro Zabaleta, Eduardo Faria Insaurriaga, Lourdes Etcheverry.
Uruguaiana – Gregório Beheregaray, Paulo Henrique
 Inda, Gizele Ustra Zubiaurre, Beatriz Tellechea Clausell,  Vifran Tellechea

Rio Grande – Rachel Tellechea Inda



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Casa Basca Gaúcha presente na Semana da Cultura Uruguaya 2014

Prof. Eduardo Palermo e Dr. César Zavalla


A Casa Basca do Rio Grande do Sul esteve representada, por diversos integrantes de seu núcleo pelotense (Elimar de Castro Insaurriaga, Ricardo Irigon Vinhas, Eduardo Faria Insaurriaga e Helena Insaurriaga Patzold dos Santos), nos eventos referentes à Semana da Cultura Uruguaya, realizados entre 15 e 17 de Setembro, no Centro de Integração do MERCOSUL, na cidade de Pelotas. 
Organizada pelo Consulado de Distrito del Uruguay en Pelotas, com apoio do Centro de Estudios en la Lengua Española e da Família Berasain Gonella, a Semana da Cultura Uruguaya em Pelotas contou com a apresentação de diversos documentários de autores uruguayos e riograndenses com temática relativa aos usos e costumes dos povos da região da "frontera gaucha". Os próprios diretores dos filmes, Prof. Gonzalo Rodriguez Fabregat, Prof. Cintia Langie e Prof. Guilherme Rosa, participaram de debate moderado pelo Prof. Juan Pablo Berasain Gonella.
O documentário "El padre de Gardel" que trata da teoria sobre a origem uruguaya do Rei do Tango, Carlos Gardel, foi apresentado no dia 17.09. À apresentação deste filme seguiu-se uma mesa redonda que debateu as teorias existentes sobre a nacionalidade do músico porteño. Participaram dos debates os professores: Luis Adé, Aldyr Garcia Schlee e Rafael Andreazza. Foram moderadores, o Dr. Ricardo Petrucci e o Prof. Juan Manuel Berasain Moreira.
Houve ainda a entrega de 100 livros de autores uruguayos em doação à Bilblioteca do Centro de Integração do MERCOSUL/ Curso de Relações Internacionais da UFPel (Universidade Federal de Pelotas) e a Palestra do professor uruguayo Eduardo Palermo sobre as relações culturais e a integração entre os povos da fronteira, com a participação do Dr. Cesar Rodriguez Zavalla, Cônsul de Distrito do Uruguay em Pelotas.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Genealogia dos Insaurriaga, elos de ligação entre Passado, Presente e Futuro



Apresentamos um panorama do trabalho genealógico realizado pela Família Insaurriaga, de extrema relevância, não só para os integrantes da Família, mas também para toda a Comunidade Basca Gaúcha, e com ele iniciamos uma série de matérias relativas ao Seminário de Genealogia, realizado no dia 5 de Julho de 2014, paralelamente ao Congresso de Cultura Basca, na histórica Bibliotheca Pública Pelotense.




Baseados no resultado de muitos anos de pesquisa incansável dos registros civis da família em diversas Instituições dentro e fora do Rio Grande do Sul, Elimar de Castro Insaurriaga e Eduardo Faria Insaurriaga apresentaram, no Seminário de Pelotas, um panorama das origens familiares na Terra ancestral em Euskal Herria (País Basco) e o caminho que percorreram os Insaurriaga na América, desde o desembarque dos pioneiros, no porto de Montevideo até a região onde se estabeleceu uma parcela considerável dos  Insaurriaga gauchos, no atual Município de Pelotas.
O sobrenome Insaurriaga, que no idioma milenar vasco (Euskara) significa "Local onde há Nogueiras", chegou a América junto com o casal Marcellina Pacheco e Juan José Insaurriaga e seus filhos jovens, Eugenio, Ramón e Sibirina, que aportaram em Montevideo e fixaram residência em Tacuarembó (Uruguay). O casamento de Eugênio José com a gaucha Maria Antônia Rocha deu origem ao primeiro Insaurriaga nascido no território do Rio Grande do Sul: Francisco Eugênio Insaurriaga, que mais tarde, viria a contrair matrimônio com uma de suas primas, Marcelina Insaurriaga, filha de Ramón. 
O cenário gaúcho da Saga dos Insaurriaga no Novo Mundo passa pelo Distrito pelotense de Monte Bonito, local de conhecidas pedreiras, escolhido pelo patriarca dos Insaurriaga para fixar residência devido à atividade profissional que exercia: a cantaria (corte de pedras). Segundo relatos familiares repassados de geração em geração, Eugênio Insaurriaga, que hoje empresta seu nome a uma rua localizada no Bairro Fragata, teria sido responsável pelo calçamento de diversas vias na Cidade de Pelotas e inclusive, da Praça Cel. Pedro Osório.
A pesquisa realizada pelos Insaurriaga revela a sensibilidade dos envolvidos que acreditam que a preservação da História e do Legado deixado por aqueles que nos antecederam é uma das chaves para o sucesso da atual e das futuras gerações. Do trabalho realizado pelos Insaurriaga resultaram 3 Encontros de Família que reuniram centenas de descendentes de Juan José e Marcellina na cidade da Zona Sul Gaucha, organizados por Elimar Insaurriaga. É dela também a idéia de ampliar o alcance dos encontros para que seja possível o congraçamento das demais famílias de basco-descendentes.
O resgate da História, das conexões familiares (Genealogia) enfim, dos primeiros passos de uma família de origem basca da Diáspora nas Américas, corresponde ao capítulo mais recente da epopéia de um povo que é considerado "A primeira Família Européia", que estabeleceu-se nas terras localizadas entre os Pirineus e a Baía da Bizkaia numa época do período paleolítico em que o nomadismo era praticado pela mairoria dos povos seus contemporaneos. O idioma e a maioria das manifestações culturais bascas nasceu neste período, que remonta a mais de 10 mil anos, muito anterior ao início das migrações das tribos indianas que povoaram a Europa através do Caucaso dando origem a todas as demais nações européias.  
O Amor pelo seu Território escolhido, chamado Euskal Herria, ou "Terra daqueles que falam o Euskara" o esforço incessante para preservar este idioma e as demais manifestações culturais, de geração em geração, nestes 10 mil anos são os sentimentos que continuam vivos também aqui:  neste rincão lusófono da América do Sul, chamado Rio Grande do Sul.  Uma das provas disto é a iniciativa de pessoas como Elimar Insaurriaga, Eduardo Insaurriaga com a colaboração de seus demais familiares, bem como a de outras famílias que realizam pesquisas similares na area e serão destacadas em matérias posteriores. 
A criação e a consolidação da Casa Basca do Rio Grande do Sul igualmente e fundamentalmente baseia-se neste Amor pela Terra ancestral, na determinação que segue junto com cada basco-descendente da Diaspora, de preservar a ligação com a Euskal Herria e, é claro,  na perseverança (teimosia) típicamente basca.
AUPA  INSAURRIAGA!
GORA GAUTXA´ko  EUSKO ETXEA!




Elimar de Castro Insaurriaga

Eduardo Faria Insaurriaga




segunda-feira, 31 de março de 2014

Buenos Aires Celebra el País Vasco

Bascas y Porteñas
A Casa Basca do Rio Grande do Sul, juntamente com a operadora turística de Bruno Coelho Costa, preparou um pacote para os interessados em viajar à Buenos Aires entre 9 e 11 de Maio, ocasião em que estará sendo realizado na capital porteña, o evento nominado "Buenos Aires celebra el Pais Vasco". 


A capital argentina abre seu coração, em plena Avenida de Mayo, para celebrar a Cultura Basca! Gastronomia, Danças, Música, Literatura, entre outras expressões culturais do País dos Pirineus. 
Pensando nos bascos do Rio Grande do Sul, a Euskal Etxea Gaucha preparou as seguintes sugestões de pacotes turísticos para quem quiser acompanhar o evento na capital porteña: 


Grupo p/ Buenos Aires 
Opção 01
Ida 09/05/2014 – Volta 12/05/2014

Voando GOL
G3 7648   09MAY   POAEZE   1055 1255
G3 7651   12MAY   EZEPOA   0630 0807

VALORES  POR PESSOA EM APTO. DUPLO :
Hotéis:

FACON GRANDE..............USD 517,00 P/PAX + TAXAS DE EMBARQUE (R$ 74,72 + USD 65,00) 
www.hotelfacongrande.com
 GRAN BUENOS AIRES........USD 529,00 P/PAX + TAXAS DE EMBARQUE (R$ 74,72 + USD 65,00) www.granhotelbue.com.ar
AMERIAN PARK.............USD 605,00 P/PAX + TAXAS DE EMBARQUE (R$ 74,72 + USD 65,00) www.amerian.com
 DAZZLER MAIPU...........USD 619,00 P/PAX + TAXAS DE EMBARQUE (R$ 74,72 + USD 65,00) www.dazzlertowermaipu.com
 CLARIDGE....................USD 619,00 P/PAX + TAXAS DE EMBARQUE (R$ 74,72 + USD 65,00) www.claridge.com.ar


Opção 02 – 
Ida 09/05/2014 – Volta 11/05/2014

Voando GOL
 G3 7648 09MAY POAEZE 1055 1255
G3 7691 11MAY  EZEPOA 1800 2309

VALOR  POR PESSOA EM APTO. DUPLO :

Hotel: 
FACON GRANDE..............USD 590,00 P/PAX + TAXAS DE EMBARQUE (R$ 74,72 + USD 65,00)  www.hotelfacongrande.com


Sugestões de Passeios:

Buenos Aires - City Tour
A partir deUS$19,00

** FORMAS DE PAGAMENTO **
Entrada 20% (A vista + taxas de embarque + saldo em até 4x (CHEQUE, VISA, DINNERS OU MASTER) ao câmbio do dia do fechamento da venda.

 ** VALORES E DISPONIBILIDADES, SUJEITOS A ALTERAÇÃO SEM PRÉVIO AVISO
Contatos: Bruno Ritter Coelho da Costa
Fones: 5551 8170.9757 – Tim e 5551 9592.3323 - Claro















segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Um Rei por trás da cortina...

DONOSTIA, ou San Sebastian, para aqueles que não estão familiarizados com o idioma Euskera, é a capital da província basca de Gipuzkoa. É uma cidade litorânea de reconhecida beleza e graciosamente esparramada na Baía de La Concha, em frente ao Mar Cantábrico, ou Golfo de Bizkaia. Donostia é uma cidade cuja beleza geográfica e urbana também se equivale ao seu espírito, revelado na força de um povo cidadão, cuja consciência trabalha em prol da preservação de sua identidade, sua história e seu futuro. 


Baia de La Concha, Donostia (foto Valerio Azkonabieta)
Consciência ecológica e cultural não falta ao País Basco, de um modo geral, e Donostia, paraíso de turistas que chegam em hordas rumo a seus bares de pintxos, inigualáveis restaurantes e famosas praias, deixa sua marca na limpeza das ruas e nos bem cuidados jardins. Indicada para ser a Capital Européia da Cultura 2016, a cidade e a região tem preparado um caminho que, baseado nos sempre relevantes ensinamentos ancestrais, almeja sedimentar um presente e um futuro para seus habitantes.
Convidada pela Fernanda Etchepare e pela Bazkaria a preparar alguma manifestação sobre a minha visão de Donostia, me ocorreu um fato muito interessante a revelar um pouco o perfil de sua gente. No ano de 2012 fui levada por amigos, familiares de meu especial amigo e chefe de cozinha donostiarra Haritz Aranburu, a conhecer o prédio do Ayuntamiento. Antigo cassino transformado em prédio público, a suntuosa construção neoclássica também abriga espaço público democrático/ parlamentar, local onde são discutidas as questões pontuais da cidade e de seus administradores, num espaço que me pareceu ter sido um salão de bailes, ou mesmo o salão principal do então cassino.
foto: Claudio Damboriarena Escosteguy
Este imenso e clássico salão contém em suas paredes enormes quadros do rei de Espanha, cuja manutenção é obrigatória em se tratando de um prédio público erigido em território espanhol. Mas como estamos no País Basco, e não na Espanha, a regra espanhola não seria tão bem deglutida como um saboroso pintxo. Mesmo assim, para evitar maiores conflitos por aquilo que, inteligentemente, consideram de menor importância, os dirigentes locais mantiveram os quadros reais, em obediência à determinação. Todavia, estes imensos quadros estão adequadamente escondidos por proporcionais cortinas de veludo vermelho, a fim de que o rei não participe de forma alguma do livre exercício democrático local. Ao entrar no ambiente, não fosse pela informação passada com um imenso sorriso de satisfação por um dos Secretários do Ayuntamento que fazia às vezes de orgulhoso guia, ninguém perceberia que por detrás das cortinas estaria um rei sufocado pelo peso, neste caso, do veludo.
Jose Augusto Zabaleta Irigon y Maria Laura Irigon Irigon
Poderia falar de tantos outros aspectos, de sutilezas tantas que fazem de Donostia, mais do que mera atração turística. Mas resolvi simplificar e exemplificar com o que por lá é chamado de uma anedota, maneira que encontrei de homenagear a cidade e o que ela tem de mais especial para mim, o espírito donostiarra. E foi em homenagem a este espírito livre que a exposição fotográfica “Um olhar sobre Donostia” foi concebida, ou seja, com fotos de bascos descendentes que lançaram seu àvido elivre olhar sobre um dos ícones da terra de seus ancestrais, a bela Donostia. Espero que possam comparecer ao restaurante Bazkaria e apreciar o "olhar sobre Donostia".


Ana Luiza Panyagua Etchalus, 
Presidente da Casa Basca do Rio Grande do Sul (Euskal Etxea RGS)



A Casa Basca do RGS, pelo segundo ano consecutivo, apoia o Restaurante Bazkaria, de propriedade de Fernanda Etchepare, na realização de sua celebração de aniversario. No próximo dia 21 de novembro, além de um jantar harmonizado especialmente preparado pelo Chef Haritz Aranburu, a Bazkaria estará apresentando uma exposição fotográfica. Com o tema " Um olhar sobre Donostia", a exposição, organizada a partir de acervo de bascos descendentes, pretende passar uma idéia singela e afetuosa da bela cidade guipuzcoana. Os convites estarão a disposição na própria Bazkaria, ou através de contato com a diretoria da Casa Basca do RGS (Ana Luiza Panyagua Etchalus, Guilherme Escosteguy Flores Da Cunha, Haritz Aranburu, Ana Maria Longaray, Alejandro Argañaraz, Valério Aazkonabieta, Carlos Alberto Telechea Madeira)http://casabascars.blogspot.com.br/2013/11/jantar-basco-na-bazkaria.html






Algumas Fotografias em Exposição na Bazkaria:




Carnaval en Donostia
foto: Ana Luiza Panyagua Etchalus

"Passado, na visão do Futuro"
foto: Ana Luiza Panyagua Etchalus

Pintxos eta Txakoli
foto: Ana Luiza Panyagua Etchalus

Palacio Kursaal
(foto: Guilherme Escosteguy Flores da Cunha)

foto: José Augusto Zabaleta

foto: José Augusto Zabaleta

"Txu txu"
(foto: Ana Luiza Etchalus)

Cidade cidadã
(foto: Ana Luiza Etchalus)

"Donostia, Asas ao Futuro, voo à Liberdade"
Claudio Damboriarena Escosteguy

"El Peine de Los Vientos"
Valério Azkonabieta




terça-feira, 1 de outubro de 2013

Crônica da Fronteira (por Cláudia Paixão Etchepare)

                                                                                   
    
                                                                                 APRESENTAÇÃO
Maria Claudia Paixão Etchepare, Diretora Social da Casa Basca do RGS,  é  professora de inglês há mais de 30 anos. Casada com o inseparável Luis Antonio Senger, o L.A., e mãe de Carolina Etchepare Guindani,  Claudia, como é chamada, demonstra seu  amor à cultura e às letras,  não somente promovendo encontros culturais em idioma saxão no Clube de Inglês mantido para alunos executivos,  como também participando de oficinas literárias( já teve três contos publicados no livro Contos Contemporâneos da Oficina de Criação Literária de Alcy Cheuiche). E afinal, o amor à arte e à literatura não emerge somente do lado basco (anoto que , a primeira obra de Literatura Basca de que se tem notícia foi escrito por um Etxepare- Bernard Etxepare- , em 1545, sob o título Linguae Vasconum Primitiae),  mas sendo sobrinha do renomado Paixão Cortes, a cultura sempre teve lugar de destaque em sua formação e de sua família. Depois de alguns anos de afastamento, Claudia retornou recentemente à amada terra natal, Santana do Livramento,  decidindo expressar suas  emoções em uma linda crônica, produto de muito talento e sensibilidade. Para nosso deleite, Claudia Etchepare permitiu que sua doce produção literária fosse compartilhada com os leitores do blog, especialmente com seus conterrâneos da Fronteira da Paz. Agradeço à nossa querida Diretora Social e amiga por este presente e parabenizo aos santanenses por mais um talento fronteiriço.

Ana Luiza Panyagua Etchalus
Presidente                                                                                                
Casa Basca do Rio Grande do Sul

Crônica da Frontera

por Claudia Paixão Etchepare

Cláudia Etchepare

















Ah, fronteiras! Dizem que são linhas divisórias onde acaba o conhecido e o desconhecido se apresenta, a ser desbravado. Há as imaginárias, as emocionais e as físicas. Tenho especial predileção pelas fronteiras geográficas, como rios, montanhas e desertos. Elas nos dão a condição ínfima do humano. Fronteira é terra sem dono, zona de desconforto. Ao cruzar a fronteira abrimos mão de nossa soberania e corremos risco de ter nossas crenças subvertidas e nossas verdades postas à prova.

Partimos eu, meu marido, minha filha e minha tia-anjo-mãe prontos para desbravar la más hermana de todas las fronteras del mundo. Era um dia iluminado de outono. Três diferentes gerações, nascidas nas décadas de 20, 50 e 80, compartilhavam o espaço do carro e a promessa de bons momentos. Santana do Livramento, onde nasci e vivi até os meus seis anos de idade, era o nosso destino. A integrante nonagenária da troupe garantia o testemunho das histórias de quem viveu o dia a dia da terra.  Um par de mudas de roupa e itens básicos jogados apressadamente nas malas englobavam todas as nossas posses naquele momento. A totalidade de nossa rede social reduzia-se a três companheiros de viagem e a estrada, a única opção de caminho. Como diz o vocalista da banda Eagles, this could be heaven, this could be hell...
Na estrada, do lado direito, coxilhas suaves tingidas de diferentes matizes de verde e extensões de rara amplitude para os olhos citadinos. Vacas, mais vacas. Do lado esquerdo, a mesma coisa. Olha aquela vaca ali, parece ser prima daquela que vimos mais atrás - diz o meu espirituoso marido,  e nos faz explodir em risada, tomados pelo relaxamento compulsório que a estrada impõe. O aroma adstringente das bergamotas, que saboreávamos para ajudar a passar o tempo,  disfarçava o cheiro de zurrilho em certos trechos da estrada. Lá fora, cercas sobem e descem acompanhando obedientemente as linhas do relevo. Capões, feito tufos rebeldes, salpicam o campo enquanto retalhos simétricos de reflorestamento de acácias beiram a estrada. Silos metálicos cortam a mesmice bucólica do pampa. Imponentes representantes da economia do estado. Quando eu viajava com frequência à Punta del Este pintei muitas aquarelas, impactada pelas imagens do percurso. E lá estavam as minhas aquarelas sendo reproduzidas em série, ao longo da estrada, como o quadro a quadro dos rolos de filmes da era pré-digital. Casinhas de joão-de-barro empoleiradas nos postes. Passarinhos pousados em linha nos fios da rede elétrica. O amarelo ouro das plantações. Verdadeiras cópias de minhas obras. Será que isto não seria um autoelogio?

Santana do Livramento tem uma fronteira sui generis que vive há muito inserida no conceito moderno de comunidades colaborativas e interativas. É uma fronteira de mescla, de soma. Lá, o simples cruzar de uma avenida determina a mudança de nacionalidade da terra Brasil para a terra Uruguai. E nada muda.Tudo se funde.
Chegamos em Santana do Livramento exalando pampa pelos poros. Os fatos que se sucederam nos dois dias e duas noites que passamos na minha terra natal, os tenho registrados como flashes fotográficos. Visitam-me à revelia. Inquietam-me com o suave bater de asas de borboletas em minhas entranhas.
Parrilla. Alfajores. Comfort food para alguém criado com hábitos fronteiriços. Nosso charmoso hotel boutique em Livramento, instalado em um prédio histórico restaurado. Acolheu originalmente uma prisão, explica a esclarecida dona enquanto nos recebe para um simpático brinde de boas vindas. Mais parrilla. Cerveza Norteña. Algumas comprinhas no free shop da Avenida Sarandi em Rivera. Dulce de leche. Milhojas fresquinhas na confitería. Um encontro enriquecedor com uma mulher culta, bela e forte, cuja avó era irmã da minha avó. Ela vive em uma casa suntuosa estilo neo-clássico alheia ao caos do comércio e da arquitetura desfigurada das ruas que sobem e descem o centro de Livramento.   Conversa caudalosa e calorosa, regada a vinho local. Identificação mágica. Eskerrik asko, meu conterrâneo e basco-descendente, assim como eu, por este contato precioso.  Mais compras: vinho tannat para compor a adega de inverno e galletas. Fazer uma fezinha, tentar la suerte no cassino. Negro el ocho! No vá más! Minha filha estava com a mão encantada. Emoção. A casa onde nasci. Pelas mãos de Dona Luizinha, a parteira. Cinza chumbo, porta muito alta trabalhada com entalhes em madeira e um robusto trinco de bronze. Arquitetura clássica da região. Frações de memórias repicam ao som dos meus passos pelas ruas da cidade. A cidade ganha uma nova dimensão à luz de meu amadurecer. O olhar do homem de sobrancelhas grossas e pele cor de oliva lembra os ares do meu pai. Ao cruzar a avenida, a imagem da mulher de traços nobres e trajar elegante me enche de saudade da beleza de minha mãe. Um brinde para celebrar o sucesso de nossa excursão e incursão ao passado. Missão cumprida, com tudo que tínhamos direito. Matambre delicioso e incrivelmente macio. Chajá. Un té, por favor, para ajudar a digestão. Pena que não pudemos visitar o Clube Campestre porque chovia.

Os dois países invadem- se carinhosamente. O português e o espanhol são intercambiados com naturalidade ou se mesclam deliciosamente. O fluido trânsito social e comercial entre eles incorpora grandezas que vão além da boa vizinhança. Os traços físicos, a maneira de se vestir, o hábito de tomar mate e o gosto pelo assado fundem-se em um só homem, o gaúcho fronteiriço ou gaucho. Um verdadeiro precursor do conceito atual do homem global. Ok, Ok.
Talvez esteja me deixando levar pela emoção.

Voltamos pela mesma estrada. Do lado esquerdo, ganado Angus, Hereford, Holandês, verde em profusão e em diferentes tons, e do lado direito... Bem, eu já contei.  Só que, no percurso de volta, a imensidão da paisagem não mais se exibia distante, pelo lado de fora. Estava dentro de mim.

 Ah, fronteiras!