PRÉ-HISTÓRIA

Sorginetxe, Araba (foto: Dario Garrido Urdampilleta)

Texto Original em Castelhano ( www.kondaira.net )




Sobre os primeiros homens que habitaram o País Basco, há indícios em diferentes cavernas grutas basca, era o homem de Neanderthal (Grutas de Axlor, Lezetxiki, Olha, Arrillor, Gatzarria), que viveu em nossas terras entre os anos 100.000 y 35.000 a.C.. 


Entretanto, uma nova especie surgirá, mais adiante, entre os hominídios, o Homo sapiens sapiens (os Humanos como os conhecemos nos dias atuais), cuja manifestação européia recebe a denominação de homem de Cromagnon e que substituirá ao Neanderthal europeu a partir do Paleolítico superior.No País Basco há mais de setenta lugares con sinais de ocupação humana durante o Paleolítico superior ocidental (desde 35.000 a 8.500 a.C.), a maioría são grutas não muito distantes da costa e a escassa altitude. Das mais importantes: Altxerri (Gipuzkoa), Santimamiñe (Bizkaia), Ekain (Gipuzkoa) ou Isturitz (Baixa-Navarra). Os que ali viviam eram caçadores que praticavam em grupos a observação, cerco e captura das presas, para conseguir carne, peles y coros, ossos e chifres. Suas presas preferenciais eram o cervo (ou as renas, em circunstâncias climáticas mais frias) ou outros animais como as cabras montesas e as camurças, em zonas escarpadas. Cavalos, bisões e auroques (uros) em espaços abertos e pradarias. Os grupos de caçadores migravam varias vezes ao ano desde suss zonas habituais de acampamento (nas grutas melhor instaladas) a territorios próximos para abastecer-se de outros recursos.


O homem desenha figuras de animais, alguma referência ao humano e um variado repertório de signos geométricos de significado desconhecido, como pinturas e gravuras nas paredes das grutas (Arte Rupestre) e gravuras ou relevos sobre suportes menores (Arte mobiliar: em fragmentos de pedra, osso, e até em marfim). Sua máxima concentração se dá no sudoeste da Europa (Dordoña, Pirineus e Beiral Cantábrico) o que veio a ser conhecido como civilização Franco-cantábrica, cujo apogeu se dá desde o período Magdalenense Médio até o final, sendo considerada por alguns antropólogos e historiadores como a antecessora da atual cultura basca. 

As pinturas rupestres de Altxerri, em Gipuzkoa, são as mais antigas da Europa, datadas em 39.000 anos. Os recentes estudos em paleo-genética apontam a uma expansão proto-basca durante o magdalenense, que se estendeu ao norte até a Rússia e ao sul até a Tunísia.
O tempo menos frio e mais humido do final da última Glaciação e o avanço do atual clima no Holoceno, provoca importantes transformações na cobertura vegetal e na fauna. Durante três milênios, se sucedem as culturas do Epipaleolítico antigo (8.500 - 8.200 a 6.800 a.C.) e do Epipaleolítico pleno, ou Mesolítico (6.800 a 5.500 a.C.). A substituição de espécies animais requer o desenvolvimento de novas técnicas de caça e de um conjunto de armas eficaz (surgem as flechas lançadas com arco). Se ampliam os recursos alimentícios procedentes dos bosques de árvores frutíferas (castanhas, avelãs, hayucos e nozes) e de estuários e marismas costeiras. São frequentes no Epipaleolítico e Mesolítico, como despojos das comidas, restos de peixes e acúmulos de conchas em rincões das grutas (por exemplo, na Gruta de Santimamiñe, a maioria são conchas de ostras, mas também de caramujos, lapas, mexilhões e caracóis). Para a pesca e o marisqueo, havia redes, anzóis de osso e picos de pedra para desprender as conchas da rocha.

No Epipaleolítico antigo se dão a cultura Azilense e o Postazilense Laminar, culturas que prolongam e liquidam o Magdalenense precedente. No Epipaleolítico antigo, se vive em muitas das mesmas grutas que nos fins do Paleolítico Superior, com similares sistemas de caça e instrumentos; e se dá a prática liquidação da vistosa arte do Paleolítico Superior. Entre outros, representam bem, o Azilense (8.500 a 7.500 - 7.000 a.C.) níveis das grutas de Santimamiñe (Bizkaia), Bolinkoba (Bizkaia), Lezetxiki (Gipuzkoa), Urtiaga (Gipuzkoa), Ekain (Gipuzkoa) o Isturitz (Baixa-Navarra). Do postazilense são representantes o Montezinho de Txarratu (Áraba) e as grutas navarras de Berroberria e Zatoia.

No Mesolítico surgem os utilitários geométricos que se caracterizam por um sofisticado conjunto de pequenas pontas de flecha de forma geométrica (trapézios, triângulos e segmentos de círculos). Se datam estes achados em pouco antes do sétimo milênio a.C. e seus estratos se entremesclam já, em muitas grutas, com os do Neolítico. O espaço habitado do País Basco se amplía, ocupando-se, pela primeira vez, grutas ou abrigos rochosos bastante distantes da costa e en latitudes de meia montanha: Fuente Hoz, em Araba e la Peña, Padre Areso e Aizpea em Navarra. No Mesolítico final, coexistem as tradições Laminar e geométrica com uma incorporação lenta de algumas das novidades do Neolítico.



No período Atlântico (5.500 a 3.000-2.500 a.C.) se alcança o considerado "ótimo climático", mais quente e mais húmido que agora, continua o desenvolvimento do Mesolítico e se dá a expansão das novidades do Neolítico.

NEOLÍTICO:


No decorrer do Neolítico ocorrem consideráveis mudanças de técnicas e indústrias (cerâmica e polimento da pedra), de modos de vida e subsistência (agricultura, ganadería e um incipiente urbanismo de pequenos povoados com choças agrupadas); também se dão novidades na iconografia e ritos funerários. Estas mudanças, que no Próximo e Médio Oriente se deram massivamente e em pouco tempo (A "revolução do Neolítico"), no sudoeste da Europa, e portanto no País Basco, se introduziram a um ritmo lento e de forma espaçada.

Os mais importantes sítios do Neolítico basco estam nas Grutas de Areatza, Santimamiñe e Kobaederra em Bizkaia; a gruta de Marizulo em Gipuzkoa; em Álava, nas grutas de Fuente Hoz ou Montico de Txarratu; no caso de Navarra, em Aizpea, Zatoia, Urbasa II, ou por exemplo, em Abauntz; na costa labortana, em Muliña, onde foram encontrados picos mariscadores de grande tamanho.

Se sucedem no Neolítico antigo (4.500 a 4.000 a.C.) com mínimas novidades técnicas, o Neolítico pleno ou avançado (4.000 a 3.300 a.C.) em que se ampliam aquelas inovações e se introduz a pecuária e o Neolítico final (de 3.300 ao inicio do Calcolítico) quando aparece um ritual funerário megalítico e se expandem a pecuária, a agricultura e o povoamento ao ar livre.
As cerâmicas mais antigas do País Basco (não decoradas) procedem de Zatoia (Navarra) e Fuente Hoz (Álava) e se datam entre os 4.400 e los 4.000 años a.C; deste tempo são, também no Neolítico antigo, fragmentos de vasos cardiais (decorados por impressões da borda dentada da concha do cardium) de Peña Larga (Álava). Vasos decorados com apliques plásticos ou com incisões aparecem no Neolítico avançado de Los Husos (Álava), Areatza (Bizkaia) e Marizulo (Gipuzkoa).

Em torno do ano 4.000 a.C. os ocupantes de Zatoia caçavam javalis e em menor medida cervos, cabras montesas, corças e alguns cavalos, bovinos e sarrios. Os de Aizpea compaginavam a caça destas especies com a pesca no vizinho rio Irati. Até o Neolítico pleno (Fuente Hoz, Abauntz e Marizulo) não aparecem no País Basco animais domésticos: os restos de pecuária são sempre minoría frente aos de animais selvagens. Somente no Neolítico final (Los Husos e Arenaza) o aprovisionamento de carne procedente de animais domésticos superará ao que se supre pela caça. Os primeiros rebanhos são de ovi-caprinos e logo os de vacunos e de cervos.



Somente no Neolítico avançado aparecem instrumentos (que abundariam especialmente logo, no Calcolítico) para o aproveitamento de recursos vegetais: folhas de sílex que serviam para a sega e moinhos de mão. No Neolítico pleno e final se encontram machados e enxós de pedra polimentada para o trabalho da madeira.

O costume do Neolítico de enterrar os cadáveres no chão das grutas (como em Marizulo, Fuente Hoz e Aizpea) se vai substituindo, desde fins do Neolítico, por depósitos coletivos em galerias interiores de grutas (como Kobaederra em Bizkaia, Gobaederra e Peña Larga em Álava, Urtao II em Gipuzkoa, e La Peña e Hombres Verdes em Navarra) e, sobre tudo, em dolmens. Os mortos estão dispostos ordenadamente no interior das câmaras funerárias, adornados com pingentes de osso e pedra e acompanhados de vasilhas, armas e outros utensílios.

O catálogo dolmênico no País Basco, deixando de lado o tumular, inclui hoje uns setecentos monumentos, dos quais quase a metade se encontram na Navarra. O uso de dolmens se prolongou durante cerca de dois mil anos: os primeiros se levantaram no Neolítico recente (os mais antigos da Rioja alavesa podem datar-se em 3.200 anos a.C.), tiveram sua máxima expansão no Calcolítico e Bronze Antigo e alguns seguiam utilizando-se no Bronze Pleno, até os 1.500 ou 1.300 anos a.C. O maior dos dolmens bascos é o de Aizkomendi. São maioria os dolmens de câmara simples (com uma só estância principal, de planta quadrada ou poligonal); outros são os de corredor, com uma câmara precedida por um corredor (como os monumentos de Artajona em Navarra, ou de San Martín ou o Sotillo em La Rioja), e as galerias cobertas.



No desenvolvimento da metalurgia do sudoeste europeu foram definidas três etapas: o Calcolítico (Eneolítico, ou Idade do Cobre) de 2.500 a 1.800 a.C.; A Idade do Bronze (antigo, de 1.800 a 1.500; médio ou pleno, de 1.500 a 1.200; e final, em transição à Idade do Ferro, 1.200 a 900/850 a.C.) e a Idade do Ferro (a partir de 900 ou 850 a.C.).
No Calcolítico e Idade do Bronze abundam as ferramentas, armas e utensílios domésticos de cobre e bronze: punções ou sovelas, machados de vários tipos (planos, de rebordes, de talão...), punhais com sua base preparada para a colocação do cabo, pontas de flecha, pulseras, anéis, contas de colar... No Calcolítico, o lapidar das pepitas de ouro produziu alambres ou chapinhas que sirviram como jóias: assim como as dos dolmens de Trikuaizti em Gipuzkoa e Sakulo em Navarra.
Durante o Neolítico avançado e o Calcolítico se vão abandonando as grutas como lugar de habitação e se constroem cabanas ao ar livre. Entre outros sítios de habitação do Calcolítico e da Idade do Bronze, se destacam as grutas de Solacueva e Los Husos em Araba e o abrigo de Monte Aguilar nas Bárdenas de Navarra; e é ampla a lista de lugares ao ar livre com fundos de cabanas e oficinas de indústrias líticas (tão interessantes como La Renque em Treviño ou os Talleres de Álava e da Navarra Média e Ribeira).

No Bronze pleno e final, as cabanas se agrupam e dotam de elementos comuns (como poços, silos ou muralhas). Em alguns dos povoados incipientes da Navarra e Araba há cerâmicas e utensílios metálicos (punhais de rebites, pontas de flecha e alguns ornamentos de bronze) em que os arqueólogos vêem influências da Meseta, do sul das terras bascas.

A cerâmica campaniforme aparece nos depósitos funerários do Calcolítico (2.500 a 1.800 a.C.): a do tipo marítimo e cordado se encontram em zonas setentrionais do País Basco (dolmens de Pagobakoitza, Gorostiaran e Trikuaizti) e a do tipo continental, em vários dolmens mais próximos ao passo do Ebro (San Martín, Sotillo, Los Llanos...) e nos sítios de La Renque (Treviño), Tudela e Las Bárdenas (Navarra). 

Na excavação de depósitos funerários nas grutas (Lumentxa em Vizcaya e Urtiaga e outras em Gipuzkoa, Gobaederra, Las Calaveras e Fuente Hoz e, Araba e outras) ou em dolmens (Aralar [Navarra], Kuartango [Álava], Aizkorri [Guipúzcoa], Rioja...) se recolheram bastante restos humanos da época: a mostra, que cobre uns dos milênios entre o Neolítico avançado e o final da Idade do Bronze, permitiu aos antropólogos determinar o predomínio dos tipos da raça pirenaico-ocidental ou basca (*1) na montanha navarra e costa de Gipuzkoa e Bizkaia e dos mediterrâneo-graciles nas zonas do sul, existindo, ademais, outros grupos minoritários (paleomorfos, alpinóides...), restos de velhas etnias ou procedentes de países distantes (como os dinárico-armenóides do Bronze final da gruta navarra de Los Hombres Verdes).



(*1) Raça pirenaico-ocidental ou basca: tipo racial surgido da evolução local do homem de Cromagnon. A Antropologia engloba o tipo basco dentro da raça caucásica. Suas características físicas são as seguintes:
Ortognatismo: perfil reto do rosto, prescindindo do nariz. Dolicocéfalos com caixa craniana baixa (em Iparralde, a dolicocefalia pode atenuar-se, e inclusive pode converter-se em braquicefalia por influência do tipo alpino). 
Rino-prosapia: grande desenvolvimento vertical do rosto em relação à longitude da boca. 
Estreiteza maxilar e mesocefalia: rosto triangular com seios avultados. 
Orifício occipital oblíquo: a borda anterior se encontra muito profunda. 
Mandíbula inferior: mais bem estreita, com o queixo recolhido. O rosto é muito alto, assim como o nariz, sendo este último, muito saliente e com perfil convexo. 
O cabelo: predominam os morenos sobre os castanhos, sendo os loiros ou ruivos, muito minoritários e fruto da mestiçagem. 
Os olhos: muito pequenos, porém muito abertos, predominando os castanhos, azuis, negros, verdes e acinzentados. Comumente os de tipo basco se distinguem dos seus vizinhos latinos por sua maior estatura e corpulência, ao que se acrescentar uma certa tendência a uma coloração mais clara da tez.

Outras diferenças notáveis tem revelado os estudos cromossômicos e serológicos, em especial a extraordinária frequência de individuos Rh negativos. O Rh negativo é comum em todas as comunidades humanas de origen pre-histórica que viveram isoladas durante milênios. Os indivíduos de Rh positivo, ainda que atualmente majoritários, surgiram de uma mutação relativamente recente na humanidade.

Os antropólogos indicam que o tipo pirenaico-ocidental esteve em tempos pretéritos muito mais espraiado que atualmente. Fora do País Basco, ainda que misturada e de modo atenuado, a influência somática deste tipo se deixa sentir todavia até o sul e, várias comarcas da Castilla; até o leste, em vários vales dos Pirineus até Andorra; e até o norte, pelo litoral atlântico, havendo-se assinalado, com bastante probabilidade, a sua presença inclusive no País de Gales (Reino Unido), como vestígio da expansão proto-basca na Europa durante o magdalenense.

A massa peninsular espanhola e portuguesa, atualmente, é majoritariamente do tipo mediterrâneo. Desde o neolítico se observa a presença de indivíduos de tipos mediterrâneo e alpino no sul do País Basco. Devido à emigração a terras bascas de população latina peninsular, sobre tudo a partir do século XX, o tipo mediterrâneo também é majoritário nas grandes urbes bascas. No caso do Iparralde, sobre tudo na zona costeira, ademais de indivíduos de tipo mediterrâneo, existem do tipo alpino (procedentes do centro e leste da França) e nórdico (procedentes do norte da França) devido à imigração latina (atual e passada) proveniente do centro, leste e norte da França. O tipo basco, pelo contrário, é comum nas zonas rurais do norte de Euskadi, interior do Iparralde e metade norte da Navarra, devido ao seu maior isolamento com respeito às correntes imigratórias.



Os bascos do futuro serão apenas caucásicos. Desde princípios do século XXI tem iniciado um intenso processo de imigração procedente da Iberoamérica (ameríndios de seus diferentes tipos), da África central (tipos negros guineano e sudanês), do norte da África (tipos caucásicos berberes e sudorientais), do leste da Europa (tipos caucásicos báltico-oriental, nórdico, alpino e dinárico) e sínidos da Asia oriental, assentando-se estes imigrantes, não apenas nos grandes núcleos urbanos como também nas zonas rurais, o que fará com que a sociedade basca futura seja mais mestiça, multirracial e multicultural.


Na transição à Idade Antiga (ou Proto-História) há uma Primeira (de 900/850 a 500/450 a.C.) e uma Segunda Idade do Ferro (desde então até o desenvolvimento da romanização). Até os 1.000 a 900 a.C. se generalizaram no sudoeste da Europa inovações culturais de origem estrangeira: técnicas e decorações da cerâmica e dos objetos metálicos, construções, ritos funerários, onomástica e toponimia, crenças religiosas e simbologia artística. Nelas se reconhecem várias vias de influência sobre a gente que então povoava o País Basco: a "cultura das Cogotas" da Meseta, os povos célticos do outro lado dos Pirineus e outros grupos de Aragón e da Catalunya. São camponeses que vivem da agricultura e da pecuária de vacunos, ovinos e cerdos.

Na ampla lista de povoados da Idade do Ferro que hoje conhecemos, destacam-se Arrola e Gastiburu na Bizkaia, Intxur e Buruntza na Gipuzkoa, o alto da Cruz de Olaritzu ou Berbeia em Araba e a Custodia ou O Castillar de Mendabia em Navarra. Enquanto que, em zonas da montanha do Iparralde há recintos fortificados ("castelos" ou "campos de César" na tradição popular) como os de Gazteluzarra de Irisarri ou Arhansus. As casas se organizam em quarteirões e ruas; alguns povoados tem muros, dispostos as vezes em linhas concêntricas separadas por fossos. Há casas de planta retangular e cobertas a uma ou duas vertentes (de 80 m² de superfície como média as de La Hoya [Álava] e até 110 m² as do Alto da Cruz [Navarra] ) e outras de planta circular e coberta em forma de cone (entre los 20 e 30 m² de superfície nos povoados alaveses de Peñas de Oro e Castillo de Henaio). Sua construção é muito cuidada, com um pódio de cimentação sobre o qual se levantam paredes de pedra ou adobe travadas com pés de madeira e, muitas vezes, manteadas de barro, estando dotadas de bancos, quartos, silos e hornos; as do Alto da Cruz de Cortes (Navarra) dispõem inclusive de despensas e altilhos para guardar utilitários domésticos e de jaulas ou cercadas para animais domésticos. Recipientes maiores para conservar a água e o grãos, cerâmicas variadas de cozinha, instrumentos de tecer, moinhos de mão e morillos formam parte do seu mobiliário. 

Pulseias, fíbulas, broches de cintura e botões de cobre ou bronze, caixinhas cerâmicas e vasilhas de luxo, alguns ídolos e bonecos de barro e várias jóias compõem o efetivo de uso pessoal daquela gente. Os dois recipientes de ouro de Axtroki em Bolibar (Gipuzkoa), dos séculos VIII/VII a.C., são uma boa mostra das artes decorativas da época. Na Idade do Ferro se pratica de forma generalizada a incineração de cadáveres, conservando-se as cinzas em urnas cerâmicas que se depositavam em um pequeño recinto de louça (cista) ou sob túmulos de terra. As tumbas de incineração se agrupavam em "campos de urnas" não distantes dos grandes povoados, como as necrópoles navarras de La Torraza, de Valtierra, a Atalaya de Cortes e a do povoado alavés de La Hoya.

Na zona pirenaica (limite de Gipuzkoa com a Navarra e de Navarra com os territórios do Iparralde), as cinzas do defunto se colocavam sob um túmulo de terra e pedras ou em uma depressão do solo marcada por um círculo de pedras ou cromlech (baratzak [barátsak]). Datações de Carbono 14 de algumas tumbas do Iparralde mostram sua vigência ao largo do primeiro milênio antes de Cristo; em algum caso seguiam em uso muito depois do início da Idade Média, como restos dos rituais da antiga religião basca.

Na Llanada alavesa (Landatxo, La Teja, El Fuerte, El Batán, Mendizorrotza e Salbatierrabide) há "poços de incineração" cavados no solo: contêm restos de animais, cerâmicas e objetos metálicos de tipos que se datam entre o Bronze final e a Segunda Idade do Ferro. 

Do Bronze avançado são figuras de animais pintados em vermelho na Peña del Cantero em Etxauri (Navarra) ou gravadas na Peña del Cuarto em Leartza (Navarra). No interior de várias grutas de Álava (Solacueva, Los Moros em Atauri, Latzaldai e Liziti) há figuras muito esquemáticas de caçadores e animais pintadas em negro: se atribuem à Idade do Ferro.

Na Segunda Idade do Ferro, aparecem vasilhas elaboradas a tomo e até os anos 350 a 300 a.C.- as pintadas em estilo celtibérico como as de La Custodia, Castejón, Leguín e Sansol na Navarra, e La Hoya, em Álava. Se acharam aperos de ferro para a lavoura e arreios de cavalo nos níveis finais de La Hoya (Álava), em Etxauri (Navarra) e no povoado tardio de San Miguel de Atxa (Álava). Esses e outros povoados irão acolhendo a romanização.

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